domingo, 7 de novembro de 2010

EL NIÑO E LA NIÑA

EL NIÑO E LA NIÑA

Ciência, Continente Americano - 09/05/2009
http://br.geocities.com/uel_climatologia/seminarioelninolanina.htm
Divaldo, Odair, Marcelo Braga e Carlos Eduardo
Objetivos: transmitir conceitos básicos sobre os fenômenos El Niño e La Niña.

1-O Fenômeno La niña

O fenômeno La Niña, que é oposto ao El Niño, corresponde ao resfriamento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental formando uma “piscina de águas frias” nesse oceano (a mancha de cor azul na figura abaixo). À semelhança do El Niño porém apresentando uma maior variabilidade do que este, trata-se de um fenômeno natural que produz fortes mudanças na dinâmica geral da atmosfera, alterando o comportamento climático. Nele, os ventos alísios mostram-se mais intensos que o habitual (média climatológica) e as águas mais frias, que caracterizam o fenômeno, estendem-se numa faixa de largura de cerca de 10 graus de latitude ao longo do equador desde a costa peruana até aproximadamente 180 graus de longitude no Pacífico Central. Observa-se, ainda, uma intensificação da pressão atmosférica no Pacífico Central e Oriental em relação à pressão no Pacífico Ocidental.
Em geral, um episódio La Niña começa a desenvolver-se em um certo ano, atinge sua intensidade máxima no final daquele ano, vindo a dissipar-se em meados do ano seguinte. Ele pode, no entanto, durar até dois anos.

Os episódios La Niña permitem, algumas vezes, a chegada de frentes frias até à Região Nordeste notadamente no litoral da Bahia, Sergipe e Alagoas.
A precipitação no Nordeste, com La Niña, tende a ser mais abundante no centro-sul do Maranhão e do Piauí nos meses de novembro a janeiro. Os episódios La Niña podem vir a favorecer a ocorrência de chuvas acima da média sobre o semi-árido do Nordeste se também é formado um Dipolo Térmico do Atlântico favorável, ou seja, com temperatura da superfície do mar acima da média no Atlântico Tropical Sul e abaixo da média no Atlântico Tropical Norte. Em geral, a circulação atmosférica tende a apresentar características de anos normais na presença de La Niña mas a distribuição de chuva, de fevereiro a maio, no semi-árido do Nordeste pode se caracterizar por uma elevada irregularidade espacial e temporal mesmo em anos de La Niña.

Tem-se registro de episódios La Niña nos seguintes anos: 1904/05, 1908/09, 1910/11, 1916/17, 1924/25, 1928/29, 1938/39, 1950/51, 1955/56, 1964/65, 1970/71, 1973/74, 1975/76, 1984/85, 1988/89 e 1995/96. Eles variam em intensidade. O episódio de 1988/89 foi, por exemplo, mais intenso do que o de 1995/96. O La Niña que se iniciou no final de 1998 seguiu o forte El Niño de 1997/98. Nem sempre, porém, um La Niña segue a um El Niño.

No intenso e mais recente episódio de La Niña ocorrido em 1988/89, o resfriamento das águas superficiais foi mais lento, ou seja, demorou dois meses para que a temperatura superficial do Pacífico diminuísse 3,5º C. Em 1998, o Pacífico Tropical também teve uma queda similar de temperatura, mas o resfriamento ocorreu em apenas um mês.

Durante os episódios de La Niña, os ventos alísios são mais intensos que a média climatológica. O Índice de Oscilação Sul (o indicador atmosférico que mede a diferença de pressão atmosférica à superfície, entre o Pacífico Ocidental e o Pacífico Oriental) apresenta valores positivos, os quais indicam a intensificação da pressão no Pacífico Central e Oriental, em relação à pressão no Pacífico Ocidental. Em geral, o episódio começa a se desenvolver em meados de um ano, atinge sua intensidade máxima no final daquele ano e dissipa-se em meados do ano seguinte.

2-Efeitos da La Niña no Brasil

No Brasil este fenômeno causa menos danos que o El Niño, porém alguns prejuízos são registrados em cada episódio. Como conseqüência da La Niña, as frentes frias que atingem o centro-sul do Brasil tem sua passagem mais rápida que o normal e com mais força. Como as frentes tem mais força a passagem pela região sul e sudeste é rápida não acumulando muita chuva e a frente consegue se deslocar até o nordeste. Sendo assim a região nordeste, principalmente o sertão e o litoral baiano e alagoano, são afetados por um aumento de chuvas o que pode ser bom para a região semi árida, mas causa grandes prejuízos a agricultura. O norte e leste da Amazônia também sofrem um grande aumento no índice pluviométrico.

Na região centro-sul há estiagem com grande queda no índice pluviométrico, principalmente nos meses de setembro a fevereiro e no outono as massas de ar polar chegam com mais força. Como conseqüência o inverno tende a chegar antes e já no outono grandes quedas de temperatura são registradas, principalmente na região sul e em São Paulo. No ultimo episódio La Niña em 1999 fortes massas de ar polar atingiram a região sul causando neve nas regiões serranas e geadas em toda a região já em abril. Para se ter uma idéia, normalmente em abril registra-se geadas apenas nas regiões serranas. Nevar é normal apenas após o mês de maio e no norte do Paraná as geadas só costumam ocorrem a partir de junho. Mas apesar de um mês de abril e maio frio, o inverno não foi tão frio quanto o esperado apresentando-se com temperaturas normais. Na região sudeste também o outono foi com temperaturas mais baixas.
De acordo com as avaliações das características de tempo e clima, de eventos de La Niña ocorridos no passado, observa-se que o La Niña mostra maior variabilidade, enquanto os eventos de El Niño apresentam um padrão mais consistente. Os principais efeitos de episódios do La Niña observados sobre o Brasil são:

• passagens rápidas de frentes frias sobre a Região Sul, com tendência de diminuição da precipitação nos meses de setembro a fevereiro, principalmente no Rio Grande do Sul, além do centro-nordeste da Argentina e Uruguai;

• temperaturas próximas da média climatológica ou ligeiramente abaixo da média sobre a Região Sudeste, durante o inverno;

• chegada das frentes frias até a Região Nordeste, principalmente no litoral da Bahia, Sergipe e Alagoas;

• tendência às chuvas abundantes no norte e leste da Amazônia;

• possibilidade de chuvas acima da média sobre a região semi-árida do Nordeste do Brasil. Essas chuvas só ocorrem, se simultaneamente ao La Niña, as condições atmosféricas e oceânicas sobre o Oceano Atlântico mostrarem-se favoráveis, isto é, com TSM acima da média no Atlântico Tropical Sul e abaixo da média no Atlântico Tropical Norte.

Em alguns lugares, como no Sul do Brasil, durante o forte evento de La Niña de 1988/89, a estação chuvosa de setembro a dezembro de 1988 teve um mês de muita seca, mas os demais meses da estação teve chuva normal, ou ligeiramente acima da média. Durante o episódio fraco de 1995/96, o esfriamento do Pacifico não foi tão intenso, mas o período chuvoso de setembro a dezembro de 1995, mostrou durante todos os meses, chuvas abaixo da normal climatológica.

Com relação à Amazônia, as vazões dos Rios Amazonas no posto de Óbidos e as cotas do Rio Negro, em Manaus, mostram valores maiores que a média durante os episódios de La Niña ocorridos em 1975/76 e 1988/89, comparados com valores mais baixos nos anos de El Niño, ocorridos em 1982/83 e 1986/87.

Durante o corrente ano de 1998, após a rápida desintensificação do fenômeno El Niño em maio e junho, observou-se um súbito resfriamento das águas do Pacífico Equatorial Central. Esse resfriamento continuou em julho, porém um novo episódio do fenômeno La Niña ainda não está totalmente caracterizado. As previsões indicam que todas as condições do La Niña acontecerão até o final deste ano: águas mais frias no Pacífico Equatorial Central e Oriental ao longo do Equador, ventos alísios mais fortes e intensificação da pressão atmosférica na parte oriental do oceano e enfraquecimento das pressões na porção ocidental.

Nos últimos 15 anos, foram apenas três ocasiões em que o La Niña foi sucedido pelo El Niño. O episódio intenso de El Niño de 1982/83 foi seguido de um evento fraco de La Niña em 1984/85, e um El Niño menos intenso, ocorrido em 1986/87, foi seguido de um forte La Niña em 1988/89, e o El Niño longo, mais fraco de 1991/94 foi seguido de em episódio fraco de La Niña em 1995/96.

Fonte: site do INPE,2003


El Niño e La Niña são oscilações normais, previsíveis das temperaturas da superfície do mar, nas quais o homem não pode interferir. São fenômenos naturais, variações normais do sistema climático da Terra, que existem há milhares de anos e continuarão existindo.

3-O Fenômeno Climático El Niño

O Fenômeno “El Niño” é o resultado de uma complexa interação entre o oceano e atmosfera, esse tem inicio no meio do oceano, a cerca de 10 mil km da costa do Peru.
O primeiro registro data de 1725, quando o aquecimento das águas do Pacifico prejudicou a atividade pesqueira do Peru e Equador, na época pensou que isso ocorria somente nas costas litorâneas dos dois paises. Isso porque de tempos em tempos, nas regiões banhadas pelas águas frias do Pacifico, costumava surgir correntes de águas quentes em dezembro, próximo a época do natal. É daí que se dá o nome de El Niño- onde que em espanhol significa menino em alusão à comemoração do nascimento de Jesus.
A partir da década de 1950, os pesquisadores começaram a desconfiar que o fenômeno teria abrangência muito mais ampla. Hoje, sabe-se que o El Niño é um fenômeno extremamente complexo, que envolve a interação entre as correntes oceânicas e atmosféricas e ocorre cerca de 50 vezes durante 20 anos, os cientistas conhecem a causa imediata do fenômeno, ou seja, o enfraquecimento dos ventos alísios (que normalmente de leste para oeste), que interfere no relacionamento das águas na área leste do Pacifico e no estacionamento das águas quentes a oeste. Uma das tentativas para explicar o fenômeno é a de que seria um mecanismo básico de transferência do calor dos trópicos para as regiões polares. E suas conseqüências alcançam escala planetária, provocando de secas no Nordeste Brasileiro a enchentes na Índia e Austrália.

Segundo os pesquisadores do INPE; “Explica-lo, porém, não é simples, porque estão envolvidas duas das mais incontroláveis forças naturais da Terra: os Oceanos e a Atmosfera”.
Devido ao maior volume de águas quentes na faixa equatorial do Pacifico, passa a ocorrer maior evaporação, que, por sua vez, provoca a elevação nos índices das chuvas nos paises da América do Sul. Logicamente, essa transformação repercute também no Brasil, causando aumento de chuvas no Sul e seca no Nordeste.

O El Niño chega a alterar a temperatura nas águas do Oceano Atlântico, modificando o ambiente na costa Brasileira. No Brasil, segundo os cientistas, é importante que as autoridades das cidades afetadas estejam em contato permanente com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) de Cachoeira Paulista, SP, acompanhando a evolução do fenômeno, para que sejam tomadas as medidas necessárias para enfrentar as catástrofes como as que se abateram sobre o vale do Itajaí, em Santa Catarina, e o semi-árido nordestino, em 1983, quando ainda não tinham como prever a evolução do fenômeno.

As Áreas no Brasil que são mais Atingidas pelo Fenômeno El Niño, estudos indicam que são três áreas: a região do semi-árido do Nordeste, o norte e o leste da Amazônia e o sul do Brasil. A região sul é afetada pelo aumento de chuvas; a região norte e o leste da Amazônia, assim como o Nordeste, apresentam uma diminuição das chuvas, principalmente entre fevereiro e maio, época no semi-árido. Finalmente no sudeste ocorrem temperaturas mais elevadas durante o inverno.
Com o atual conhecimento deste fenômeno, há tempo para elaborar planos de emergência para a desocupação das encostas, limpeza dos leitos dos rios e, até mesmo, evacuação das áreas que podem ser atingidas por chuvas.

4-Os Aspectos Positivos e Negativos que o El Niño causa na Economia

O El Niño não deve ser visto como um fenômeno malévolo e nem benéfico, pois é um fenômeno natural que tem ocorrido a milhares de anos. Há registros do El Niño desde que as pessoas começaram a colocar termômetros nos Oceanos para medir as temperaturas das águas. Mencionam-se entre as atividades beneficiadas pelo El Niño a redução nos números de furacões na costa leste dos Estados Unidos, as fortes chuvas nas regiões desérticas do Peru e do Chile e também no Sul do Brasil.

5-Os Efeitos do El Niño sobre a Atividade Pesqueira no Peru

A costa peruana é rica em peixes (em especial em anchovas, o mais importante produto de exportação do Peru) em decorrência da ressurgência, ou seja, da ascensão de águas frias que emergem de uma profundidade de centenas de metros, ricas em nutrientes que atraem os peixes para essa região. Em anos de El Niño intenso, não ocorre a ressurgência e a água da superfície permanece quente, os peixes buscam outras regiões para se alimentar, afetando drasticamente a economia do país.

6-Quais os meses em que o Fenômeno El Niño foi mais Intenso? E Qual o ano em que ele agiu com mais força?

Os El Niños mais catastróficos, os que apresentaram uma temperatura da superfície do mar -TSM mais elevada, foram os dos anos de 1972/1973 e 1982/1983 nos meses de outubro a janeiro. Os demais El Niños, menos calamitosos, apresentaram os picos de TSM em julho e outubro de 1986/1987 e abril e julho de 1993/1994.

7-Prejuízos Causados pelo EL Niño

Estima-se que o El Niño trouxe um prejuízo para a América do Sul, em cerca de US$ 3 bilhões de dólares no ano de 1982/1983. No total foram 600 mil pessoas que ficaram desabrigadas, além de 170 mortes diretamente causadas por esse evento. No sul do Brasil . o prejuízo foi estimado em US$ 800 milhões de dólares, cerca de de 5 milhões de toneladas de grãos foram perdidas no momento da colheita.

8-Bibliografia

Manual Dinâmico do Estudante. – São Paulo: Difusão Cultural do Livro, 1999.
Petti. Jean-Robert. Geografia: A natureza humanizada. Tradução de Luciana Veit. São Paulo. FTD, 1998.
http://www.inpe.com.br

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